Engomo roupa a menos

   Gostava de ter com quem partilhar a máquina de lavar roupa.
Engomei demasiadas camisas que não eram minhas... e todas ganharam vincos que o tempo não retira. Voltarei um dia a misturar odores no cesto da roupa? Ou serei eternamente flor_do_mar, com histórias de água para contar?

setembro 21, 2009


Happy birthday to you...


Primeiro chorou. E depois riu muito, riu a galope da pele como se tivesse descoberto naquele momento a fantasia do riso, uma galáxia de ressureições a quente, o sangue nas veias a pedir vida e sal e pão e cheiros. E depois correu até à foz dos dedos e mergulhou-os no riso até ficarem gastos de espanto. E sentiu-se feliz e o mundo deu-lhe as boas vindas.

(E eu ainda não sabia, mas desde esse momento que fiquei à espera dele)



Publicado por flor_do_mar em 12:03 AM | Comentar (2)

julho 25, 2009


Bliss


Vou pôr uma vela aos pés da noite. Irei esgueirar-me por entre duas nuvens – ou três, depois decido - e ficarei à espera que o crepúsculo a engula e a transforme na estrela mais acesa dos meus dias. E essa vela, ou essa estrela, como lhe queiram chamar, vai ser um barco lento a entrar no porto, neste milagre de saberes o caminho de volta.



Publicado por flor_do_mar em 02:34 AM | Comentar (2)

Memória



É só um pressentimento estendido sobre a cama. Uma viagem até ao banco de trás, salpicada de pequenos infernos entre quatro verões. Lembras-te do resto do nosso adeus? Houve palavras a mais, um candeeiro aceso sobre os nossos ombros e humidade nas ombreiras da voz. E as olheiras. As olheiras a passearem-se por debaixo dos meus olhos, mesmo à frente dos teus. Lembras-te? É só um pressentimento, eu sei que ainda há muita chuva, muito vento antes de te morrer.




Publicado por flor_do_mar em 02:11 AM | Comentar (1)

julho 19, 2009


Always


Era disto mesmo que eu precisava. Um azul e um sorriso. Um céu e a tua boca.



Publicado por flor_do_mar em 11:45 PM | Comentar (3)

julho 17, 2009


E já são nove, minha querida


Levanta-te, é dia de festa
e não vais querer perder
o que o mundo tem para te dizer
porque quando acordas e abres os olhos
és mais borboleta do que qualquer esvoaçar
de todas as manhãs bonitas.

É dia de festa e a festa é tua e o dia é teu.
Parabéns, minha querida.



Publicado por flor_do_mar em 12:12 AM | Comentar (0)

junho 08, 2009


Papel transparente


Dentro de casa são ao milímetro as certezas embrulhadas. Condensam-se as vontades, embalam-se as letras de papel e fecham-se as janelas, as frestas, os armários de canela. Lá fora um lago de água roxa esmurrada pelo vento. Um nenúfar oco deixa cair a última história. E suspira. Juro que suspira. Se tivesse voz, soltaria um gemido, um caldo morno de Inverno a borrifar a paisagem.


Lá dentro de casa, o grito não é mais grito. Há paredes debruçadas sobre o corpo que morreu perto de ontem. Tantas paredes.


E lá fora no lago, a água já não pede sede nem flores nem tartarugas subaquáticas. Há nesta perda matéria de estudo para um quadro a tinta-da-china. Traçado a reboliço e inconstância, embrulhado em papel transparente.




(Faz hoje três anos que renasci.
E nas mãos dos médicos ficou toda a morte que eu trazia cá dentro.)




Publicado por flor_do_mar em 12:01 AM | Comentar (5)

dezembro 29, 2008


Contemplação


Há uma toalha sobre a mesa. Sobre esta mesa. Uma toalha verde com quadrados. Dentro de alguns quadrados, há corações. E eu todos os dias poiso os dois braços sobre esta toalha e nunca a tinha olhado verdadeiramente. Talvez hoje, por ser fim de dezembro, fim de ano, fim de mais um ano, a tenha olhado mais demoradamente. Não me recordo onde a comprei e tenho pena. Devíamos recordar-nos destas coisas. Apaixonarmo-nos pelos sítios onde poisamos os braços.



Publicado por flor_do_mar em 11:12 PM | Comentar (9)